quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Carcereiras da Memória


"E eis que do nada surge mais uma vez aquela imagem do passado
Um sorriso e um olhar que pareciam congelados, petrificados
De repente, saltam de uma tela esquecida de algum pintor fracassado

Era uma visão que tentava tirá-la da realidade para fazê-la retroceder no tempo
Assim como palavras que pareciam bailar no ar sem respeitar o passar dos anos
Soavam falsamente como um bálsamo a qualquer ouvido ávido por elogios

Recordações que não eram mais esperadas
Mas insistiam em fazê-la mergulhar numa estranha sensação
Lembranças que pareciam tentar reverter um quadro irreversível

Mas teimavam em confundi-la mais uma vez
Tentavam fazê-la acreditar em uma solidão
Como se ela não conhecesse o verdadeiro sentido dessa palavra

Era como se fosse um fantasma tentando aprisioná-la mais uma vez
Alguém que quando chegou foi sem avisar
Alguém que sempre teve medo de realmente se fazer presente

O que achar daquela presença soturna e inesperada?
O que teria feito ela para merecer aquele tormento?
A tortura de ser castigada mais uma vez por lembranças?

Pesadelos que só serviam para reavivar a ideia de abandono
Coisa que ela sabia não fazer mais parte de sua vida
Era apenas uma herança há muito rejeitada, deixada por alguém

Alguém que, quando partiu, foi embora sem se despedir"





By Elena Corrêa




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2 comentários:

  1. elena que texto lindo, límpido e vero.Verdadeira pérola, você escreve muito bem.Emocionou!

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