domingo, 7 de agosto de 2011

Soneto Às Avessas


"De quase tudo, ao meu amor serei atenta
Quase tudo, não de tudo
Porque quero que sobre tempo para estar atenta a mim também

Dedicarei a ele todo meu zelo e todo meu encanto
Apesar do pesar e do desencanto que outros adoram valorizar

Não vou louvar, pois isso faz parte de uma idolatria quase religiosa
Que não faz parte do meu canto

Mas vou continuar dando muitas risadas
Porque elas me encantam e me divertem

O pranto, eventualmente continuarei derramando
Faz parte de descontentamentos rotineiros
Normal na vida de cada um

E assim, quando mais tarde a morte me procure, saberá que eu vivi, sim, o que optei por viver
E para mim ela não será uma angústia
Porque não dei permissão para a solidão ocupar um espaço que pertencia a quem me ama

E poderei dizer do amor que tenho:
Que seja mortal, posto que é chama
Mas que dure enquanto for infinito”


By Elena Corrêa

Livremente inspirado no "Soneto da Fidelidade", de Vinícius de Moraes

Transparências Que Me Restam



"Sem transparências
Sem relutâncias

Sem cobranças
Sem achados e perdidos

Sem o sem
Sem o com

Sem o nada
Sem o tudo


Sem satisfações a dar
Sem medos a provocar

Sem assédios
Sem provérbios

Sem o Sim
Sem o Não

Sem provocações

Sem rima
Sem métrica
Sem querer ser assimétrica

Sem sonhar com o que vem
Sem contar com o que não tem
Sonhando e contando apenas com o que me resta"


By Elena Corrêa

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Duelos Entre a Razão e o Coração



“A luta entre o racional e o emocional parece nunca ter fim

Vamos sempre perder se apostarmos que não há mais espaço para futuras enganações

Não adianta nos vangloriarmos de sermos experientes e termos sobrevivido a tantas situações
Haverá sempre aquele momento de ver mais uma máscara cair 

Como se fosse a primeira vez, somos uma vez mais surpreendidos
E, de novo, questionamos como pudemos ser tão influenciáveis
Como chantagens emocionais quase conseguiram nos tornar reféns

Mas, se tiveram a ousadia de tentar, é porque deixamos flancos abertos para isso
Não adianta envergonhar-se pelo erro de estratégia
Nem lamentar a falta de iniciativa de criar a própria defesa  
Desculpas ingênuas não convencem a ninguém

Culpa-se por não ter percebido desde o início tal novo engodo
Sentimentos menos nobres afloram
Indignação, revolta e até nojo são mais fortes
O desequilíbrio leva à somatização 
As insônias viram fantasmas constantes

É preciso reagir, combater pontos fracos que nos deixam vulneráveis
Porque é deles que os falsos fortes vão se valer para nos manipular
E os falsos fortes vão continuar existindo e aparecendo de surpresa

Muitas vezes, caímos no mesmo conto porque não damos ouvidos à intuição
Ignoramos quando ela dá sinais, sussurra, assopra no ouvido, e até grita
Em outras a seguimos, e evitamos as arapucas criadas para nos derrubar
Mas quando não lhe damos ouvidos, o golpe pode ser certeiro

O embate entre o racional e o emocional está sempre terminando e recomeçando
E nessa luta, continuará havendo batalhas em que ora um, ora outro vencerá
É o duelo da vida, até o round final”


By Elena Corrêa