sexta-feira, 6 de abril de 2012

Catadora de Migalhas


“E eu a admirava tanto por tudo que demonstrava
E achava que sua bagagem cultural se sobressaísse a tudo
E acreditava nas suas histórias como se fossem reais

Eis que, de repente, ao soar o alarme
Uma decepção se sobressai a outra
Não, ela não é a pessoa que diz ser

Se fosse tão poderosa assim, por que continuaria mendigando migalhas?
E por que continuaria a bajular quem lhe dá esmolas?
Por que nunca foi chamada para uma oportunidade melhor?

A resposta é simples
E não cabe a mim responder
Ela está dentro de cada um que se submete a esse tipo de situação
Covardes, medrosos, submissos, pobres coitados”

By Elena Corrêa

sábado, 31 de março de 2012

Autonomia Para Morrer



“A morte nunca foi um desejo, uma meta a atingir
Nem precisava, sempre foi autônoma
Sempre foi uma presença constante e indesejável
Estava e está sempre ali, fingindo não estar
Às vezes rindo, debochando, escrachando
Em outras, fingindo-se de conciliadora, sorrateira

Ela assusta pelo simples nome que leva
E isso a torna mais forte, mais temerosa
Por isso, vence a maioria das vezes
Deve ser bem triste para ela ver alguém adiar seu domínio
Mas isso é possível e acontece, sim

Vencê-la não é questão de milagre
É questão de fé, força de vontade
É garra para tirar dela essa autonomia
E, acima de tudo, é amor à vida”


By Elena Corrêa

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segunda-feira, 26 de março de 2012

Vômitos



"Sua vontade às vezes era botar para fora o que a sufocava
Vomitar verdades ocultas suas, disfarçadas de outras
Acabar de vez com essa tendência que sempre a perseguiu de clamar pela Justiça Divina
De esperar que, de repente, do nada, alguma luz vá se acender
E aquelas forças do mal saiam da sombra do bem
E se revelem, e se autodenunciem, e se auto entreguem
Por conta própria, por conta do acaso, ou por armadilhas perfeitamente planejadas

Provas concretas existem
Guardadas, protegidas
Com o aval de quem sabe do seu valor
Mas, por enquanto, vão continuar ocultas
Elas só reforçam o prazer de assistir de camarote à altivez dos incautos
Ver como se comportam como soberanos, superiores, imbatíveis
Quando não passam de bichos doidos, possuídos, sempre se sentindo ameaçados

Ah, mas é quando cai a ficha do quanto são infelizes
Por mais que façam questão de gargalhar e inconscientemente se difamar
A ânsia de regurgitar passa e a sensação que vem é de alívio
Para que dar pérolas a porcos?
Melhor deixar que se afoguem em seu próprio vômito"


By Elena Corrêa